sábado, 7 de dezembro de 2013

"Nem sempre galinha, nem sempre rainha"!...

Quem não conhece a expressão “nem sempre galinha nem sempre rainha” ?
O que muitos não sabem é que a origem dessa expressão é atribuída ao Rei D. João V, conhecido nos manuais da história pelo “Magnânimo” mas também conhecido pelo “Freirático” por causa da sua apetência sexual por freiras.

Ficou célebre o seu tórrido romance com a Madre Paula, do mosteiro de S. Dinis em Odivelas, com quem teve vários filhos, os quais educou esmeradamente, ficando conhecidos pelos Meninos de Palhavã, por residirem em Palhavã no Palácio onde actualmente funciona a embaixada de Espanha em Lisboa.

A Rainha era austríaca e muito feia, ao contrário do Rei que era bem apessoado e talvez por isso o Rei procurasse outras companhias mais agradáveis.
A Rainha sentindo-se rejeitada ter-se-á queixado ao padre seu confessor.

Um dia o padre chamou o Rei à razão, tendo como resultado que este ordenasse ao cozinheiro que a partir desse dia, o padre passaria a comer todos os dias galinha.
Nos primeiros dias o padre até ficou satisfeito e deliciado com o menu, mas passados três meses o homem andava agoniado e magro que nem um caniço, tendo-se queixado ao Rei de que o cozinheiro só lhe dava galinha.

Foi quando o D. João V, com ar de malícia, lhe disse.

- Pois é senhor padre! Nem sempre galinha, nem sempre rainha!         

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Casa Arrumada... faça-a sua e seja feliz.

Casa Arrumada ?

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

[Carlos Drummond de Andrade,1902-1987]

sábado, 2 de novembro de 2013

Um Amigo de há 20 anos

Conforme prometido, aqui vai a 2ªestorinha:

2ª estorinha

Era uma vez o Alberto. Homem de iniciativa. Toda a vida que viveu até aos 55, comemorados há 2 meses, tinham sido de trabalho. Duro, muito, mas proveitoso. Sempre metido no trânsito, em reuniões, em noites de computador e de laboratório. Pensa, faz, oferece e vende, aplica, põe a funcionar. A chamada “realização profissional” no seu pleno. O dia tem 24 horas, não mais (as tais convenções horárias) e o trabalho que foi necessário desenvolver foi mais do que muito, diga-se que com agrado. O Alberto fazia o que gostava de fazer, e quando é assim o trabalho, muito e duro que seja, leva-se com facilidade. O que não significa que não canse e que às tantas, muitos anos passados sem fim de semana e muitas vezes sem feriados e sem festas, o Alberto não se sentisse farto. Farto do trabalho, farto do computador, farto das reuniões, e dos projetos, e dos clientes, e daquela parafernália toda com que era obrigado a lidar diariamente. E que fez o Alberto, homem de iniciativa e sempre de ideias “pra frentex” ? Mandou o trabalho, aquele, às malvas, mandou os sócios às urtigas e os clientes a um sítio que o Alberto esqueceu de indicar no diário que escreveu. Uma falha que se desculpa. Mudar de vida foi a decisão. Vamos para fora, anunciou à família. Vamos para longe do ruído, dos fumos, do ar condicionado, do trânsito,... de tudo o que lhe tinha enchido a cabeça durante muitos anos. E foram ! Serra da Estrela, ali perto, lugar magnífico, ar cheirando a limpo era coisa que nem sabia que existia, ribeirinho ao pé... vamos nessa, um viveirito de trutas. O Pai até era da zona, amigo do presidente da junta e compadre do presidente da câmara, foi fácil arranjar o espaço para o viveiro, tal como foi fácil arranjar o espaço para um restaurante a partir de casa de canteiros, antiga, abandonada, onde a grande especialidade iria ser, naturalmente, as trutas do seu viveiro.
 No estudo que fez sobre como criar e tratar trutas passou por França e as “Truites au Bleu” ficaram-lhe no goto e na memória. Decisão de Especialidade da casa, restaurante a funcionar. Localização parasidíaca. Acesso por caminho antigo, arranjado para manter o rústico, saibro por cima, a 500 metros do alcatrão da estrada nacional. Parque de estacionamento sem qualquer dificuldade. Começou a ser conhecido. Primeiro aos fins de semana o pessoal da Covilhã, de Manteigas e de Seia, tudo perto, tinham de fazer espera à porta. Depois até durante a semana. O êxito estava à vista. O Alberto e a Mulher, mais um Filho jovem e com o “sangue na guelra”, faziam tudo. Cozinhavam, atendiam, punham as mesas, lavavam, limpavam, arrumavam, tratavam do viveiro. Um sorriso permanente. A coisa corria. Não conseguiam lucros, mas haja Deus, o reconhecimento das autoridades, os prémios que iam recebendo, da Câmara, da Junta, do Turismo. Começaram até a ser visitados pelas televisões e pelos jornais, primeiro os locais, logo a seguir os nacionais. As revistas do jet 7, os especialistas em gastronomia, todos lá foram e todos disseram que havia ali um milagre, pela iniciativa, pela novidade, pela organização montada, pelo que significava de desenvolvimento para a região. Lá por fora já se falava no Alberto. Um Inverno particularmente chuvoso, meses de frio que a lareira mal disfarçava e que o caminho rústico, lindo até então, não aguentou. Abriu buracos, o saibro foi ribeiro abaixo com chuva dias a fio e no aperto do frio da neve que caiu e acabou fazendo gelo.  Foram meses para esquecer. Nem os fins de semana salvaram os gastos. Na Primavera, como sempre, regularmente e conforme a Mãe Natureza manda, o Sol regressou, o Céu limpou. A neve que havia caído desapareceu. Lá estavam os 500 metros desde o alcatrão até ao Alberto, praticamente intransponíveis. Mais um fim de semana em que os clientes apareceram a conta gotas. Meia dúzia deles, nem mais que 7, ainda há 1 ano eram centenas à espera, na sala de entrada, no parque de estacionamento, nos caminhos à volta gozando as vistas e o ar. Como sempre o Alberto saiu da cozinha e veio cumprimentar os clientes, dizer uma graça, agradecer a preferência, distribuir um carinho que todos recebiam com agrado. A queixa começou a ser constante acerca da aventura que representava o percurso, outrora bem simpático, dos 500 metros do acesso ao restaurante. Surpresa magnífica. Naquele Domingo quando o Alberto se aproximou da mesa 3... Armando... mas és mesmo tu, grande e demorado abraço. Mais do que um abraço, foi xi-coração dos antigos.  Estás na mesma, há quantos anos... conta, como apareceste aqui ? Ouvi falar, não sabia que eras tu, que boa surpresa, amigos há 20 anos e aqui nos encontramos tão por acaso, o mundo é mesmo pequeno, vê lá tu... já tenho netos... então e tu, pelo que vejo estás na maior, começas a ser conhecido por toda a parte, isto que tu aqui fizeste é um milagre, aqui no “fim deste mundo” da serra, sabes, tens é que arranjar o caminho, assim como está é uma chatice ! mas olha gostei de te ver, vais conseguir aqui uma fortuna... isto é um achado extraordinário... um milagre... é o que te digo. Vai outro abraço. Se precisares de alguma coisa diz, como sabes dou-me muito bem com o Cavaco e com o presidente da Fundação Gastronómica Nacional que é o braço direito da Câmara de Turismo Americano e eu trato por tu o presidente, almoço todas as semanas com ele, diz-me o que precisas. Bom, pelo que vês eu só preciso de arranjar aqui o caminho até à estrada, o resto a gente desenrasca, mas o caminho preciso de umas pazadas de saibro e a coisa está mal... o Inverno levou-me o pouco que começava a chegar e não consigo que a junta ou a câmara me dê uma ajuda, sabes, não tenho o cartão ! Alberto, conta comigo, só que não me parece que tu saibas o que queres, para valorizar mesmo as tuas magníficas trutas só vale a pena pensar numa auto-estrada, e isso é canja, eu trato-te disso de caras, ou não fossemos amigos há 20 anos. Não..., espera, isso não interessa, qualquer carrada de saibro resolve-me o problema. Nem penses, uma auto-estrada, 4 faixas para cada lado, já viste como fica o teu restaurante, grande néon a anunciar “ALBERTO”... é pá, tu és famoso, caraças... uma auto-estrada, eu trato-te disso, é a minha especialidade, não custa nada e é para um amigão de tantos anos, espera e verás. Passado um ano a auto-estrada está construída. Foi a câmara que construiu em parceria com a M&E. No final daqueles extraordinários 500 metros de auto-estrada há um grande restaurante. Placards por toda a Serra (fez parte do contrato) com setas a indicar o local. Um Néon enorme anunciando “Armando o Rei das Trutas”. O Alberto foi à Câmara saber o que se tinha passado. Amigo Alberto, sempre a considerá-lo, então diga la´em que posso ajudá-lo, bem sabe que o seu Pai ainda é meu compadre, esteja à vontade, áh a auto-estrada nova, pois, teve que fazer-se para o outro lado da serra, sabe como é, isto não é como nós queremos, o maldito PDM obrigou a ser assim, mas deixe lá que havemos de lhe arranjar uma solução, pois claro fomos eleitos pelo povo e não nos esquecemos disso, e o Alberto... o que fez cá pela terrinha ninguém esquece, olhe que irei nomeá-lo para uma medalha, não este ano não que já está tudo decidido, mas para o ano não me esquecerei... pode ter a certeza, pois adeus, volte sempre, terei sempre muito gosto em lhe ser útil, pois claro, não me esqueço que o seu Pai ainda é meu compadre... Áh o Dr. Armando..., pois... sabe, é que ele é muito amigo do Sr Ministro, até se tratam por tu e tudo... tem sido uma vantagem muito grande cá para a terra...

O Armando, depois da inauguração do Restaurante novo onde esteve acompanhado pelo presidente da Comissão Europeia que lhe deu a honra subida de estar presente, nunca mais voltou ao sítio.

O presidente da câmara foi a deputado europeu.

O restaurante do Alberto fechou e está em ruinas.

As trutas morreram. Agora são importadas de França.

FIM

JPS-26Out2013 
 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os grandes projetos - 1º

Neste fim de semana de mudança de hora, a aproximação do solstício de inverno obriga ao cumprimento destas convenções horárias, deu-me para Vos trazer 2 estorinhas que Vos vou contar e que, como quase todas as estorinhas, começam com: - Era uma vez...

1ª estorinha
Era uma vez um homem que sofria do coração. Terrivelmente... Palpitações, aceleração cardíaca ou, pelo contrário, outras vezes grande lentidão de batimento. Análises feitas, exames cuidadosos, TAC’s, mais análises, ressonâncias, mais análises... experiências sobre experiências. Vieram especialistas daqui e de acolá, o paciente foi aqui e acolá, até que as equipas médicas ditaram o diagnóstico. A solução é o transplante. Aquela “máquina” não está em estado de recuperar com segurança. Só por substituição, mesmo correndo os riscos todos envolvidos no melindre da operação indispensável.

Havia que preparar toda a operação, a que envolvia o paciente, ele mesmo, mas ainda antes disso toda a preparação necessária para encontrar um coração suficientemente credível, em idade e em saúde, que ficasse disponível para a substituição. Análises de compatibilidade, mais do que muitas, avisos de alerta para a necessidade, todos os acidentados por esse mundo afora foram analisados na expectativa de se encontrar um coração capaz de substituir o coração doente.
E de repente, não mais que “de repente” (diria o poeta), eis que apareceu a boa nova, foi encontrado um coração disponível em condições perfeitas. Até essa altura tinham sido consumidos mais de 500 mil euros nas pesquizas. A dificuldade estava então na conservação, acomodação e transporte do órgão até ao hospital onde o doente permanecia à espera. Contas feitas foram mais 200 mil euros para esta fase da manutenção e transporte do coração, sempre acompanhado por um especialista de nome e uma enfermeira experiente, avião alugado especialmente para o efeito, batedores da GNR em terra e tudo o mais para garantia do êxito da operação.

Tudo preparado, equipa médica a postos, anestesistas, enfermeiros, especialistas de todas as especialidades, foram buscar o doente à sala onde se encontrava resguardado.
Tinha morrido. O hospital não teve 49 cêntimos para uma garrafita de água oxigenada indispensável para a desinfeção de pequeníssima ferida que lhe surgiu num pé, fruto de uma ida à casa de banho mesmo na véspera da operação final.

FIM
JPS-26Out2013 (a 2ª estorinha vem a seguir)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Poeta à solta...

                                      Júlio de Matos, muro exterior, 04Outubro2013

sábado, 28 de setembro de 2013

Os neologismos...


Na Universidade de Griffith, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo.
Neste ano, o termo escolhido foi "politicamente correcto".
O estudante vencedor escreveu:

"Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos média; ela sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar um pedaço de merda pelo lado limpo."

A broa dos velhos

Por Alberto Pinto Nogueira

A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.
Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.
A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior.
A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora….
Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892.
A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram.  
O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.
As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado.
O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.
A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.
uperou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.
Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.
Ingenuidade, logro e engano.
Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.
Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.
Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora.
O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011.          
O governo arrasa tudo. Governa para a troika e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros. São o seu catecismo ideológico e político.
Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.
As palavras "Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.
Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.
Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel- prazer.
É um fora de lei.
Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!!
Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.
Mete a faca na broa dos velhos.
Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.
Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo.
De que serviu aos velhos o governo? E seu memorando?

 Alberto Pinto Nogueira é Procurador-Geral – Adjunto  

Perdeste uma boa ocasião de estar calado...


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Programa eleitoral


Navegavam há meses e os marujos não tomavam banho nem trocavam de roupa. O que não era novidade na Marinha Mercante britânica, mas o navio fedia!
O Capitão chama o Imediato:
- Mr. Simpson, o navio fede, mande os homens trocarem de roupa!
Responde o Imediato:
- Aye, Aye, Sir. E parte para reunir os seus homens e diz:
- Sailors, o Capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa.
- David troque a camisa com John, John troque a sua com Peter, Peter troque a sua com Alfred, Alfred troque a sua com Jonathan ... e assim prosseguiu.
Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao Capitão e diz:
- Sir, todos já trocaram de roupa.
O Capitão, visivelmente aliviado, manda prosseguir a viagem.

É ISSO QUE VAI ACONTECER EM PORTUGAL NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES.

O Golpista, na sua Golpada

No dia 1 de Setembro de 2013 alguém chamado Pedro passos Coelho que se apresenta e é aceite (o que é grave !) como 1º Ministro de Portugal, dirigiu~se para quem o ouvia no encerramento da "chamada" Universidade de Verão do PSD:

"Já alguém se lembrou de perguntar aos 900 mil desempregados de que lhes serviu até hoje a Constituição ?"

Por Ana Sá Lopes, jornal “i”, 02 /Set /2013
O primeiro-ministro comportou-se ontem [01 Set ‘13] como um golpista de Estado
Já alguém se lembrou em Portugal de perguntar aos mais de 900 mil desempregados de que lhes valeu até hoje a Assembleia da República? De que lhes valeu Assunção Esteves? E o 25 de Abril? De que lhes valeu o deputado Luís Montenegro? Ou o deputado Luís Menezes? Ou o deputado xpto? Já alguém se lembrou de lhes perguntar de que lhes valeu o governo? E de que lhes valeu Pedro, Paulo, Maria Luís Albuquerque, os outros e respectivos assessores? De que lhes valeu a existência de todos os ministros e secretários de Estado? De que lhes vale, aos 900 mil, a existência de câmaras e de presidentes de câmara? E de juntas de freguesia? E dos embaixadores e secretários de embaixada?

Já alguém se lembrou, em Portugal, de perguntar aos 900 mil de que lhes valeu a democracia? A União Europeia? As viagens dos governantes a Bruxelas? As viagens dos membros do governo às organizações não sei o quê bilaterais? E de que lhes valeu o Tribunal de Contas? As eleições livres e justas? A tropa? A Cinemateca? O Teatro Nacional? O Palácio de São Bento? Os almoços de Estado? Os almoços que não são de Estado pagos pelo erário público?

Já alguém se lembrou de perguntar aos desempregados de que lhes valeu o Presidente da República, que jurou defender a Constituição? E a Câmara Municipal de Ponta Delgada? E as autonomias regionais? E o direito de voto a partir dos 18 anos? E o direito à não discriminação em função da raça e do sexo? E a separação de poderes?

Já alguém se lembrou de perguntar aos 900 mil desempregados de que lhes valeu ter eleito um taxista como primeiro-ministro, sem ofensa para os taxistas? De que lhes valeu a existência da JSD e das universidades de Verão, um excelente centro de recrutamento para um futuro emprego no palácio de São Bento sem grandes aborrecimentos?

O primeiro-ministro comportou-se ontem como um golpista de Estado, no mais demagógico ataque feito por algum titular de órgão de soberania contra a Constituição que está obrigado a cumprir - e contra o Presidente da República, que jurou cumpri-la, que desencadeou a avaliação preventiva da lei dos despedimentos da função pública.

É preciso lembrar ao primeiro-ministro que "o Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática" e que "a validade das leis e dos demais actos do Estado (...) depende da sua conformidade com a Constituição". O resto é uma fantasia de golpe de Estado típica de qualquer república das bananas.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Título para fotografia, procura-se...

Tanta falta de pessoal e o Governo de Portugal insiste em despedir funcionários públicos !
Esta imagem é bem um retrato (!!!)... do que quiserem.
Registo Predial de Alcacer do Sal em 22 de Março de 2013, às 13h 09 min.
Este serviço não tem hora de almoço... trabalha sem descanso !!!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Mãe Natura abraça os seus filhos

Quem é que anda preocupado com eleições, lugares, tachos, muitos tachos e grandes, muito grandes...
E mais com toda a sorte de tropelias que o bando de salteadores instalados no poder do Estado vai fazendo, cumprindo serenamente e sem escrupulos os objetivos que lhes foram traçados quando os donos do País os puseram no governo. E são os Portugueses que os vão mantendo ! Tantas rezas e procissões para chuver, umas vezes, para parar a chuva, outras vezes, e não se ouvem nem se anunciam rezas e procissões para o Altíssimo correr com estes gajos de lá para fora.
São feitios...
Entretanto aqui Vos deixo imagens emocionantes de movimentos da Natureza, nossa Mãe, que de quando em vez, como todas as boas e Santas Mães, se incomoda com as tropelias dos seus Meninos e resolve então, dar-lhes uns açoites.
Vejam em ecran completo, tão grande quanto possível e com o som bem audível.
 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Vamos pôr isto mais... saudável ?

I
O pai e o filho estão no bar a conversar, quando no meio da conversa, o filho diz:
       - Pai, vou divorciar-me da minha mulher. Há seis meses que ela não fala comigo.
O pai fica em silêncio durante uns momentos, bebe mais um golo da cerveja e diz:
       - Vê bem o que vais fazer, mulheres assim são difíceis de arranjar...
II
Marido e mulher na sala...
        - Se for para mim, diz que eu não estou em casa.
Mulher atende e diz:
        - Ele está em casa.
Marido:
        - Possa, mas o que foi que eu acabei de te dizer, mulher...?
Mulher:

        - Era para mim !

III
 
O homem liga para a mãe e diz:
       - Ela brigou comigo de novo e estou de regresso a casa dos Pais.
A mãe responde:
       - Não querido, ela tem que pagar por isso: eu vou morar com vocês !!!

 
E pronto, "3 foi a conta que Deus fez", dizia a minha avó Miquelina !

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O 11 de Setembro

Mais um aniversário de um terrível acontecimento passou ontem com o, praticamente, completo silêncio da comunicação social.
Fez anos, ontem, sobre a data que marca a morte de muitos milhares de seres humanos (milhões ?), muitos milhares mesmo, tantos de de tal forma que não é possível ter o número certo.
Mas foram muitos os mortos, estrupiados, enlouquecidos, torturados !
Em 11 de Setembro de 1973 os Estados Unidos da América, com Nixon no poder, perpetraram e realizaram, o assassinato de Salvador Allende e a imposição de Pinochet no Estado soberano do Chile.
E a vida da comunicação passa por isto sem qualquer sinal de amargura.
É triste que seja assim, mas é o que temos...

Allende preso no Palácio La Moneda
(Luis Vasques)

António Borges tal qual

O desaparecimento físico de António Borges traz ao primeiro plano do social, mais uma vez, a reflexão sobre o fenómeno humano (português ?) de que "todos os que morrem" foram, durante a vida, estupendas e irrepreensiveis pessoas.
Não conheci AB a não ser pela comunicação social, portanto tenho dele a ideia que o meu filtro consegue formar a partir de uma origem cuja definição pode já conter disturções. Mas é o que há !
António Borges foi, dizem alguns, economista de génio, representante honroso e honrado de Portugal na sociedade de negócios internacional.
Pode ser.
Já agora, só para comparar personalidades, Hitler foi um nacionalista de génio, representante honroso e honrado (na época, tal como AB) da Alemanha na cena política e social internacional.
Áh, e pelo menos foi eleito, o que nunca aconteceu com AB.
Para mim, com as limitações referidas e com todos os riscos que qualquer julgamento implica, foi uma personalidade cuja arrogância e desprezo pelos outros humanos se tornou abominável.
Outros humanos, diga-se, que trabalham e trabalharam para pagar os juros, taxas e demais mais valias que o sistema bancário, meio ambiente de AB, exige a todos os humanos activos e que permitiram a AB ter uma existência de, chamada, "grande nível"...
Esta definição que tenho de AB não se altera com a morte.
Sempre (quase sempre) se diz que "morreu um homem bom".
Não se pode (eu não posso) dizer isso de AB.
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Em 1953 (há 60 anos !) Nasser, Presidente do Egipto falava assim

Este discurso acaba de fazer 60 anos, mais do que muitas vidas, e pode servir bem, de exemplo demonstrativo de como o mundo árabe/muçulmano retrocedeu como sociedade livre.
Nasser não foi flor que se cheirasse, mas foi um muçulmano culto.
Fartou-se de conspirar com a CIA, mas tinha ideias de liberdade social para o seu Egipto.

A Filosofia é Universal e Intemporal


Ali-Bábá foi um santo...

Marinho Pinto no seu melhor ! Quem não deve não teme, e o resto é conversa.

 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Os UHF no seu melhor lançam o "Despertador". Finalmente...



Finalmente, ao fim de 30 anos de adormecimento e de 20 anos de apodrecimento, eis que alguém reaparece com a música que acorda e reflete a verdade social.
A esperança é a última a morrer e esta canção é uma luz ao fundo de um túnel que já se temia escurecido para sempre.
Os "Deolinda" já haviam dado o mote, mas são os UHF que incorporam a ação mais séria.
Chamar-lhe-ei "Despertador" !


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A música ao serviço do bem público

São muitos os grandes nomes da, erradamente chamada, música de intervenção.
Só há dois tipos de música, a boa e a má ! Nada mais.
Depois tanto uma como outra podem, ou não, estar ao serviço do bem público e das causas que preocupam a humanidade.
A língua portuguesa teve desde sempre música boa, tanto ao serviço dos regimes do poder como contra ele, e assim sucede com outros, nomeadamente com a língua castelhana que, talvez por nos ser mais próxima, nos fala um pouco mais diretamente ao nosso próprio sentir.
Fanhais, Zeca, Adriano, Fausto, José Mário, Alegre, Gois, Gedeão,... tantos mais que cantaram os sons da Liberdade, da Fraternidade e da Humanidade em português, Patxi Andion, Los Poetas Andaluces, e também tantos outros que nas línguas da Nação vizinha fizeram outro tanto e continuam fazendo da luta contínua por um mundo melhor um objetivo de vida.
Hoje "tropecei" em Luis Aguilé !
Argentino, músico e velho.
Trago para o "Conto" o seu "Señor Presidente" dedicado a todos os Senhores Presidentes do mundo, mas aqui só para nós, muito dedicado a todos os políticos que gevernaram, governam e, para mal nosso, vão continuar a governar Portugal.
Aqui o deixo no seu último concerto em Buenos Aires, a grande capital das Mães da Praça de Maio e do Tango tocado, cantado e dançado pelas esquinas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quando os "Putos" pensam...

Cerveja é o refrigerante de adulto
Calcanhar é o queixo do pé.
Avestruz é a girafa dos passarinhos.
Alegria é um palhacinho no coração da gente
Esperança é um pedaço da gente que sabe que vai dar certo
Helicóptero é um carro com ventoínha em cima
Cobra é um bicho que só tem rabo
Vento é ar com muita pressa.
Rede é uma porção de buracos amarrados com cordel.
Deserto é uma floresta sem árvores.
Felicidade é uma palavra que tem música.
Arco-íris é uma ponte de vento.
Sono é saudade de dormir.
Palhaço é um homem todo pintado de piadas.
Relâmpago é um barulho rabiscando o céu.
Paciência é uma coisa que a mamã perde sempre

O SANTO

Portugal é, desde a sua fundação com Afonso Henriques, palco de sucessivas intervenções divinas. Sempre que a Nação esteve em perigo, sempre que as guerras podiam desencadear desgraças nas famílias reinantes ou, depois disso, no bom andamento da República, sempre, sempre, alguma manifestação do divino ajudou a dar clarividência e inteligência aos cérebros dos governantes.
Foi assim com Afonso Henriques (Ourique, 1139), foi com o Infante D.Henrique na proteção às naus e aos navegadores, foi com D.Dinis e com sua mulher milagreira Isabel que é Santa, foi em 1640 com Nuno Ávares Pereira que é Santo (a padeira deu um jeito mas a santidade é dele), foi durante as grandes dificuldades do Estado Novo com a parceria privada-privada (PPP) entre António Salazar e Manuel Cerejeira que sempre arranjou uns milagres nos momentos de aflição para amainar a ondulação mantendo-a alegremente pobrezinha, quero dizer muito “flat”.
Nos tempos que vamos vivendo os milagres estão cada vez mais difíceis, talvez por causa da crise, mas em Portugal estas manifestações divinais mantém uma regularidade que só nos pode alegrar e fazer com que todos agradeçamos estas graças com que o Além nos beneficia, para satisfação nossa e grande alegria dos nossos Amigos Europeus (e outros) quando estes acontecimentos chegam ao seu conhecimento. Fartam-se de rir.
E desde há umas dezenas de anos (pelo menos desde os “setentas” do século passado) que o divino escolheu um médium especialmente preparado para ser o intérprete ideal destas manifestações e vontades divinais.

De seu nome Aníbal, por acaso também Cavaco Silva.
E são múltiplas as provas desta bondade.
1-      Não é por acaso que um português comum que nasce num Poço, de repente descobre que afinal nasceu numa belíssima Fonte, passados já umas dezenas de anitos sobre a ocorrência daquela maternidade;
2-      Não pode ser por acaso que um qualquer português comum que resolve fazer a rodagem a um automóvel novo, calmamente andando, percorrendo as estradas com lindas paisagens deste jardim resolve repentinamente meter direito à Figueira da Foz, sem querer, sem planear, quiçá contrariado, e regressar não só com a rodagem do carro feita, mas também chefe aplaudido de um dos maiores partidos portugueses;
3-      Não pode ser por acaso que o povo português escolheu, entre tantos políticos disponíveis para o sacrifício, logo aquele político concreto que não só nunca se engana mas, mais, raramente tem dúvidas;
4-      E naturalmente com essas características, mesmo sem ler jornais, o povo português entendeu elegê-lo acima de todos os outros por 5 vezes (cinco). Só a iluminação divina pode ter esclarecido tão esclarecidamente este povo;
5-      Não pode ser por acaso que as coitadas e habitualmente ranhosas vacas açorianas brindaram este eleito divino com sorrisos nunca antes adivinhados;
6-      Não pode ser por acaso que tenha acontecido nesta época, com este escolhido, neste Maio (dia 13), que a maldita “troika” tenha acabado por aceitar as condições violentamente impostas pelo Estado Português para  continuação da ajuda financeira a Portugal numa avaliação que, só podia mesmo ser a sétima. É nesta avaliação assim ordenada (a 7ª) que se revela a vitória final  das forças divinas do bem (Fátima) sobre as demoníacas do mal (Troika) como muito esclarecidamente revelou o Senhor Presidente;
7-      Descobre-se agora que aquele infeliz acontecimento da Bandeira Nacional de pernas para o ar foi clara e nítida influência do demo Merkeliano;
8-      Não pode ser portanto surpresa a notícia de hoje sobre o fim desta fase de avaliações (em “Negócios”-15/05/2013). Agora só depois do Verão. Desde a construção do Universo que o construtor divino descansa após o 7º esforço.

Tudo isto só pode ter explicação na inspiração divina. É assim, temos cá o Santo ! Tal como está nas bem aventuranças, “abençoados sejam os pobres de espírito porque deles será o reino dos Céus (Mateus, v.3)”.

ESPERANÇA... EM QUÊ ?

E pergunta-se...

Alguém pergunta a alguém
 – Então pá, como vai a vida ?
E a resposta do costume, a resposta de sempre
–Eh pá, assim, assim...
ou em alternativa
– Menos mal, pá...
A vida vai assim, assim, para este “pá” e para a grande, para a enorme maioria dos “pás” portugueses, o que quer dizer em mais vernáculo “a vida vai uma merda...” .
É o sentimento generalizado nas ruas de Lisboa, por onde se anda e nos cafés e pequenos restaurantes que resistem, ainda, é este o princípio de todas as conversas.
A verdade porem é que a vida vai “assim, assim...” apenas para alguns, porque para uma quantidade cada vez maior a vida não vai de maneira nenhuma.
Parou, parou no espaço e no tempo, ficou numa hibernação de esperança sem alicerces, mas ainda assim esperança, apenas porque essa é a última a morrer.
Já tudo morreu à volta, resiste teimosamente a esperança.
Esperança em nada, mas esperança.
Vida, entre humanos, quer dizer sociedade, quer dizer que se trocam palavras de ideias, de histórias, de coisas que aconteceram aos próprios ou a familiares e amigos, ou tão somente que foram vistas nos jornais ou na televisão.
Só que para isso é necessário que as pessoas (os “pás” que por aí andam) se encontrem !
E as pessoas (os pás que por aí andam) começam a não se encontrar.
As pessoas (os pás que por aí andam) começam a não sair à rua (começam a não andar por aí), e portanto deixam de ir aos tais pequenos cafés ou restaurantes que resistem (ainda) e começa, de facto já começou, a ouvir-se menos e menos o:
– Então, pá, como vai a vida ?
Ao individualismo crescente que se instalou entre nós há 30, 40 anos, sucede agora e isolacionismo.
As pessoas isolam-se, já não é um individualismo, é muito pior do que isso.
Porque individualismo é um esquema mental de vaidade desenvolvida por quem se auto define como superior e por uma febre qualquer que por aí passou, todos se começaram a julgar superiores aos restantes, e individualizaram-se, convictos de que se bastavam a si próprios e cada um que se desenrascasse.
Agora trata-se do isolamento, isolamento que resulta da falta de meios, da falta de dinheiro ao menos para o passe dos transportes públicos.
E já nem sequer vale a pena referir a gasolina ou o gasóleo para o carro, porque esse, o carro, ou ficou parado na rua, uma rua qualquer, ou foi vendido rendendo uma miséria nas mãos de outro pobre que teve ali a sua oportunidadezinha de ter um carrito por uma semana, ou nas mãos de algum agiota, desses para quem esta época é de ouro.
E não havendo sequer o passe, a solução é ir ficando por casa, com a família que houver, se houver, também ela toda presa nas paredes que ainda resistem.
E neste isolamento se vão ficando os portugueses, cada vez mais, sem o emprego que faliu ou do qual foi despedido por usura ou oportunismo do patrão, e portanto sem o dinheiro que dali resultava (é melhor pouco do que nenhum) sem capacidade de movimentação e o que é pior, sem vontade de movimentação.
É preciso passar a viver com a “vergonha” de não ter nem dinheiro para o passe, nem dinheiro para a bica, nem cara para olhar os outros humanos, muitos em idêntica situação, e muitos em isolamento crescente também.
Então o que é que fica aos que ainda assim resistem sem acabar com a vida ?
É a esperança... em nada, porque entretanto se perderam as perspetivas e os objetivos de vida, se alguma vez existiram, se perderam metas a atingir, mesmo para os que nunca as tiveram mas julgavam ter, e perderam-se os interesses porque nem sequer se sabe “o interesse em quê ?”.
Fica a esperança de que “isto” passe, de que alguém apareça que resolva “isto”, habituados que fomos a que alguém resolva por nós os problemas que nunca reconhecemos serem os problemas de todos.
Alguém me falava há dias do “coletivo”...
O “coletivo” que pensa, o “coletivo” que diz, o “coletivo” que resolve.
Qual é o “coletivo” dos portugueses ?
Em Portugal só houve coletivo quando houve um inimigo comum.
Só fomos capazes de um coletivo verdadeiramente assumido quando houve um inimigo assumido.
Para destruir o inimigo, fosse ele qual fosse (Adamastor, espanhol, castelhano, mouro ou “turra”), real ou inventado, aí sempre apareceu o invencível coletivo português (ainda se lembram de Timor ?).
E agora é a Merkel... ela que se cuide.
Para construir nunca os portugueses tiveram um coletivo que não fosse por imposição absoluta, e afinal é disso que muitos estão à espera, de alguém que apareça, sabe-se lá de onde, e imponha pela força a reposição daquilo a que lhes ensinaram serem os “direitos adquiridos”, dos quais já ninguém tem a coragem de falar.
E é esta esperança que vai alimentando muito do imaginário do futuro dos “pás” portugueses.
Triste esperança, pobre esperança e, pior do que isso, indesejável esperança.
- Óh pá, quando mal nunca pior, pá...

sábado, 6 de julho de 2013

Carta aberta de Carlos Paz



Meu Caro Sr. Prof. Cavaco Silva,
Ilustre Presidente da República

Antes de mais, peço desculpa por, DE NOVO, me dirigir a si através deste meio, o facebook, mas, aparentemente, pelas suas (E DOS SEUS MAIS PRÓXIMOS) reacções à minha anterior missiva, este é o único meio a que Vossa Excelência responde (independentemente da qualidade, da honestidade ou da boa fé da sua resposta, por palavras ou, principalmente, por actos).

Acabei de ler as SUAS DECLARAÇÕES de ontem, dia 10 de Junho (dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas … do que lhe quiserem chamar). Peço desculpa por não o ter visto ou ouvido em directo mas, como Vossa Excelência deve entender, depois dos seus últimos actos para comigo (e para com muitos dos que discordam de si), NÃO TENHO MUITA VONTADE DE O VER OU OUVIR.

De acordo com o que li, o Senhor disse que:
NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL
. Meu caro Senhor Professor, lamento informá-lo mas ESTÁ ENGANADO, quiçá mal informado, mal assessorado ou, simplesmente, mal acompanhado.

CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.

Como estamos em época de contenção de custos, proponho-lhe, desde já, uma viagem simples (menos de 20 euros por cada pessoa que quiser levar na comitiva presidencial, recorrendo aos bons serviços da CARRIS e aos excelentes serviços do Metropolitano de Lisboa).

Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.
Uma visita simples:

- Saia do palácio ao princípio da manhã e apanhe um autocarro de Belém para o Areeiro; meta-se no Metro e saia na Estação dos Anjos, ao meio
da manhã, para ver a FILA DE ESFOMEADOS (SÃO PESSOAS) que ali se junta (e ali se aguenta um par de horas) para receber uma REFEIÇÃO GRATUITA;

- Meta-se de novo no Metro, escolha qualquer direcção e
saia num dos grandes centros comerciais de Lisboa e vá almoçar; OBSERVE as pessoas que navegam nas zonas de alimentação à espera que os outros se levantem para, de forma rápida, se sentarem para COMER OS RESTOS DEIXADOS NOS PRATOS (e repare, REPARE BEM, SÃO PESSOAS que
ainda se conseguem apresentar de forma suficientemente “bem” para escaparem à vigilância dos seguranças
);

- Apanhe o Metro, um Autocarro, ou uma combinação dos dois e vá até junto do Tejo; passeie a tarde a pé do Terreiro do Paço até ao Cais do Sodré e observe; OBSERVE
as pessoas (são velhos, essa raça desprezada, mas ainda SÃO PESSOAS)
que disputam com os Pombos e as Gaivotas as dádivas de comida
, para espanto (e fotografia) dos turistas que nos visitam;

- Apanhe o Metro e vá jantar a outro dos grandes centros comerciais da Cidade e observe; OBSERVE que se repete a cena do almoço (e olhe bem, SÃO PESSOAS);
- Não demore muito a jantar; apanhe a linha vermelha e saia nas Olaias por volta das 21:30 e veja o aglomerado de pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Presidente) que
esperam ansiosamente a colocação, no exterior, dos caixotes do lixo do supermercado
para, cuidadosamente, tentar encontrar “coisas” que se possam comer;

- Já que está por ali, entre de novo na linha vermelha e vá até à Gare do Oriente, um dos símbolos indiscutíveis do Portugal Moderno; sente-se no muro junto à PSP e observe; OBSERVE as pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Professor, muitas pessoas) que naqueles muros frios encontram a única cama que lhes resta para passar a noite.

Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real. Esta visita simples que lhe propus. Bem sei que o Senhor acha que eu sou pouco inteligente e que pertenço ao grupo de pessoas que, erradamente (as palavras são suas), escrevem contra o oásis em que vivemos. Mas, por uma vez, aceite um conselho meu: LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e vá sentir a verdade.

Se, por dificuldades orçamentais, esta visita não planeada, não tiver autorização de verbas do Sr Dr Vitor Gaspar, ofereço-me aqui, PUBLICAMENTE, para a custear.

Eu sei, reconheço-lhe isso, que o Senhor é superiormente inteligente. Muito mais que eu. De qualquer outra forma TERIA SIDO IMPOSSÍVEL, para si, com os seus, e da Sra D Maria, MODESTOS RENDIMENTOS (as palavras são, uma vez mais, suas) ter-se tornado rico e juntado o pecúlio MILIONÁRIO que detém.

Mas, se é assim inteligente, é impossível não ser observador. LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e OBSERVE!

E, meu caro, SE DEPOIS DESTA VISITA, que graciosamente lhe desenhei, continuar a achar que NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL, então o caso é muito mais sério do que aparenta! Não sei se por degeneração mental, como alguns afirmam, se por chantagem sobre o caso BPN, como outros ventilam ou, ainda, se por PURA MALDADE (eventualmente refinada com a idade). Só sei que É GRAVE!

Despeço-me respeitosamente, aproveitando para lhe deixar um último conselho (meu e de todos os que ainda temos uma réstia de humanidade): aproveite o facto de se ter LEVANTADO DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e … VÁ-SE EMBORA!

Respeitosamente,
Carlos Paz

 


 (No Forum Almada, restaurantes, assisti já a várias cenas destas).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Imposto sobre pianos



A propósito das taxas, impostos e licenças completamente absurdas com que a cultura deste País sempre se confrontou, aqui deixo a imagem de um recibo de pagamento da licença, necessária para ter um piano em casa.
 

IMPOSTO SOBRE PIANOS, licença 2552 em nome de Pedro Bandeira.em Janeiro de 1921.

sábado, 18 de maio de 2013

A nossa crise de hoje !


O Papa Francisco lembrou este sábado que, mais do que uma crise económica, o mundo assiste a uma crise do Homem.

“Se os investimentos na banca caem, todos acham que é uma tragédia, mas se as pessoas morrem de fome, não têm de comer nem saúde, não se passa nada: esta é a nossa crise de hoje !"

Há 60 anos


E, na época, não eram só os isqueiros, não... Até os pianos em casa exigiam licença !

quarta-feira, 15 de maio de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Carta aos 19%

Caro desempregado,
 
A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja
Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer.
 
 RicardoAraújoPereira

sábado, 4 de maio de 2013

Domingo, 5 de Maio, Dia da Mãe, são 06:30

Abri a net e o "browser" levou-me ao Sapo.
Os dois primeiros tópicos da "Actualidade" foram estes:


Passos: "Governo fez em dois
anos o que ninguém fez nos
últimos 15"
04-05-2013 22:00
(Renascença)
 
Número de sem abrigo e
mendigos em Lisboa terá
triplicado no último ano
04-05-2013 22.50
(SIC)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Um discurso: BAPTISTA BASTOS DN-01Mai2013​

Um alarido inusitado, por injustificável, envolveu o discurso do dr. Cavaco nas cerimónias oficiais do 25 de Abril. No Parlamento a coisa foi pífia, nas ruas a festa assumiu o carácter do protesto contra o que estamos a viver. Ouvi e li o que disse o dr. Cavaco e não fiquei nem surpreendido nem chocado. É a criatura que há, o Presidente que se arranja, irremissível e sombrio. Medíocre, ressentido, mau-carácter, incapaz de compreender a natureza e a magnitude histórica da revolução. E sempre agiu e se comportou consoante a estreita concepção de mundo com que foi educado. A defesa da direita mais estratificada está-lhe no sangue e na alma, além de manter, redondo e inamovível, um verdete avassalador pela cultura. O possidonismo da sua estrutura comportamental pode ser aferido naquela cena irremediável, em que, de mão dada com a família, sobe a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, no Palácio de Belém, quando venceu as presidenciais.

O homem confunde Thomas Mann com Thomas More; ignora que Os Lusíadas são compostos por dez cantos; omite o nome de José Saramago, por torpe vingança, na recente viagem à Colômbia, enquanto o Presidente deste país nomeou o Nobel português com satisfação e realce; não se lhe conhece o mais módico interesse pela leitura; e, quando primeiro-ministro, recusou à viúva de Salgueiro Maia uma pensão, que, jubiloso e feliz, atribuiu a antigos torcionários da PIDE. Conhece-se a arteirice com a qual acabrunhou Fernando Nogueira, seu afeiçoado; a inventona das escutas em Belém, montada por um assessor insalubre e por um jornalista leviano; a confusa alcavala com o BPN, com a qual auferiu uns milhares de euros; contrariou uma tradição, por ódio e rancor (sempre o ódio e o rancor), e não condecorou José Sócrates, quando este saiu de primeiro-ministro. É uma criatura sem amigos; dispõe, apenas, de instantes de amizade interesseira. Nada mais.

O discurso que tem suscitado tanta brotoeja é o seu normal. Tão mal escrito quanto os outros; desprovido de conteúdo racional, emocional e ético; e um atropelo às mais elementares normas de sensatez e equilíbrio exigíveis a quem desempenha aquelas nobres funções. Espanto e indignação porquê e para quê?, se ele não tem emenda nem berço que o recomende.

Mas as coisas, ultimamente, têm atingido proporções inquietantes. A ida a Belém do primeiro-ministro e do ministro das Finanças perturbou o senhor. Parece julgar-se a rainha de Inglaterra, considerando o papel superior a que a si mesmo se atribui. A soberba dele sobe de tom, admitindo alguns de nós e muitos de entre eles que pode haver indícios de oligofrenia, doença incurável. "Eu bem avisei! Eu bem avisei!", costuma agora dizer, como uma tenebrosa ameaça. No núcleo estrutural deste homem emerge a complexidade indecisa de uma alma juvenil irresolvida - e, por isso mesmo, extremamente perigosa.